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As Micotoxinas: Problemas e Meios de Controle

  • 12 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Micotoxinas são metabólitos secundários produzidos por fungos filamentosos de diferentes gêneros, como Aspergillus, Penicillium e Fusarium.


As micotoxinas são conhecidas por causar uma diversidade de doenças em humanos ou animais quando ingerem alimentos contaminados.


Animais de produção que consomem alimentos/rações contaminadas podem apresentar-se com danos hepáticos e renais, depleção do sistema imune, carcinogenicidade e problemas reprodutivos, como redução da fertilidade, antecipação de cio, leitões inviáveis, redução do ganho de peso e de conversão alimentar, entre outros.


Os danos advindos da ingestão de alimentos contaminados nem sempre são perceptíveis de imediato, podendo ocorrer surtos ou efeitos de médio a longo prazo, dependendo sempre do nível da contaminação do alimento e da quantidade ingerida pelo animal. O fato é que onde há contaminação por micotoxinas há sempre algum prejuízo.


O mercado europeu possui exigências rigorosas em relação aos níveis de micotoxinas em alimentos e rações, atualizando frequentemente sua legislação. Estas imposições são feitas devido ao comprovado efeito danoso que o consumo de alimentos contaminados por micotoxinas traz para a saúde tanto de animais como de seres humanos.


Para que produtores e exportadores brasileiros possam comercializar seus produtos em mercados exigentes manter competitivo na exportação de alimentos em grãos e rações é fundamental que:


Implementem medidas de mitigação eficazes desde o campo até o processamento e armazenamento para prevenir o crescimento de fungos.

Realizem análises laboratoriais fiáveis para garantir que os níveis de micotoxinas estão dentro dos limites máximos exigidos antes do envio.


Para identificar casos de contaminação por micotoxinas ou para manter o padrão de qualidade da alimentação de animais, é fundamental que se faça a análise da ração com monitoramento e rastreamento dos ingredientes utilizados na formulação. Em casos de surtos, uma avaliação clínica dos animais mortos com exames de microscopia de seus tecidos se faz necessário para o fechamento de diagnósticos e identificação das espécies de fungo envolvidas na produção dos metabólitos e da origem da contaminação.


O desenvolvimento de fungos produtores de micotoxinas em grãos agrícolas como milho e soja, podem ocorrer nas etapas de produção em campo (como é o caso do gênero Fusarium) e na pós-colheita durante o armazenamento, transporte e processamento destes produtos (como é o caso do gênero Aspergillus), sendo este desenvolvimento influenciado por fatores como temperatura, umidade e disponibilidade de luz e oxigênio.


Dentre as micotoxinas nós chamamos a atenção neste artigo para a Aflatoxina, a Fumonisina, a Zearalenona, Toxina T-2, e Desoxinivalenol, pois todas elas podem ser produzidas por diferentes fungos presentes em grãos de milho.


A Aflatoxina, é produzida por fungos da espécie A. flavus e A. parasiticus que podem estar presentes em produtos como milho, DDG, Sorgo, Soja, amendoim, sementes de algodão e nozes.


Já as demais micotoxinas citadas são produzidas por fungos do gênero Fusarium spp. Estes fungos, apesar de se desenvolverem inicialmente ainda na fase de campo, na produção de grãos como milho, cevada, centeio, sorgo, aveia e trigo, seus esporos são transportados juntos com os grãos para dentro dos armazéns, podendo se reproduzir também na etapa de armazenagem se tiverem condições propícias para isso.


O manejo adequado dos grãos nas diferentes operações de pós-colheita é fundamental para minimizar os riscos de contaminação e garantir mais qualidade e valor na comercialização de grãos ou subprodutos para alimentos.


Das práticas de pós-colheita recomendadas visando o controle de contaminação por micotoxinas destaca-se:


1 – Condução da secagem para teor de umidade apropriado a cada tipo de grão (milho e soja 14% em base úmida) e sempre utilizando temperaturas adequadas para evitar quebras e trincas do tegumento o que torna o produto mais susceptível à contaminação interna por fungos;


3 – Monitoramento constante das condições do ar externo e intergranular visando a condução eficiente da aeração;


4 – Utilizar sistemas de aeração com ventiladores e exaustores bem dimensionados para a capacidade estática do seu armazém;


5 – Realizar após o descarregamento do armazém, a limpeza dos silos, correias e roscas transportadoras, moegas, poços de elevadores e outras estruturas do que possam acumular material em decomposição e a posterior contaminação da nova safra a ser armazenada.

 
 
 

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